A Bahia figura entre os estados brasileiros com maior custo mensal por pessoa privada de liberdade em 2026. De acordo com dados do painel Custo do Preso, da Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen), vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, o valor médio no estado chegou a R$ 3.449,56 por preso ao mês.
O montante ultrapassa o equivalente a dois salários mínimos e coloca a Bahia entre os estados com despesas mais elevadas no sistema prisional do país.
O levantamento também mostra que, em fevereiro de 2026, o custo chegou a R$ 4.403,35 por detento na Bahia, número superior ao registrado em estados como Santa Catarina, que apresentou média de R$ 3.549,53 no mesmo período.
No comparativo nacional, a Bahia supera estados como São Paulo, onde o custo médio é de R$ 1.959,55, e o Distrito Federal, com R$ 2.476,39. Em alguns períodos, apenas unidades como Amapá e Maranhão apresentam valores próximos ou acima em determinadas variações mensais.
CRISE NO SISTEMA PRISIONAL
Os dados reforçam o debate sobre os altos custos do sistema penitenciário baiano e os desafios de gestão do setor.
O tema ganha ainda mais repercussão diante de recentes episódios envolvendo unidades prisionais no estado.
Investigações conduzidas pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA), por meio do Gaeco, apontaram irregularidades em um caso de fuga de detentos no Conjunto Penal de Eunápolis, no extremo sul do estado, ocorrido em 2024.
Segundo informações apuradas, a apuração envolveu uma delação premiada da ex-diretora da unidade, além de mensagens e investigações que indicam possíveis falhas estruturais e administrativas no sistema.
As apurações seguem em andamento e fazem parte de um cenário mais amplo de investigações sobre o sistema prisional baiano.
