Uma nova esperança para milhões de pessoas que sofrem com ronco crônico e apneia do sono pode estar próxima de se tornar realidade. Cientistas divulgaram resultados promissores dos testes clínicos do medicamento experimental AD109, considerado a primeira pílula desenvolvida especificamente para tratar a apneia obstrutiva do sono, distúrbio diretamente ligado ao ronco e às interrupções respiratórias durante o sono.
O estudo acompanhou 646 voluntários durante seis meses e foi conduzido por pesquisadores da Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos, em parceria com a empresa farmacêutica Apnimed. Segundo os pesquisadores, o tratamento apresentou melhora significativa na desobstrução das vias aéreas e nos níveis de oxigenação sanguínea de pacientes diagnosticados com apneia do sono em diferentes graus.
De acordo com os resultados divulgados nesta segunda-feira (18), o medicamento conseguiu reduzir em 44% os episódios de interrupção da respiração durante o sono entre os participantes que utilizaram o composto. No grupo que recebeu placebo, a melhora registrada foi de apenas 17%.
Os especialistas destacaram que o AD109 representa uma alternativa menos invasiva em comparação aos aparelhos respiratórios atualmente utilizados por pacientes com apneia, como o CPAP. A proposta do medicamento é agir diretamente na disfunção neuromuscular responsável pelo fechamento das vias respiratórias durante o sono.
Apesar dos resultados positivos, os testes também identificaram alguns efeitos colaterais. Cerca de 20% dos voluntários interromperam o tratamento devido a sintomas como enjoo, insônia e dificuldade para urinar. No entanto, os pesquisadores informaram que não foram registradas complicações graves relacionadas ao uso do medicamento.
Outro dado considerado animador pela comunidade científica foi a taxa de remissão completa da doença, que alcançou 22% entre os pacientes que seguiram corretamente o tratamento diário.
Com os resultados considerados satisfatórios, a empresa responsável pelo AD109 já encaminhou o pedido de aprovação do medicamento junto à FDA, agência reguladora dos Estados Unidos. A expectativa dos desenvolvedores é que o remédio possa ser liberado comercialmente a partir de 2027.
