A 9ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira pela Polícia Federal, alcançou o alto escalão do governo da Bahia. Entre os alvos da ação estão o secretário estadual do Meio Ambiente, Eduardo Sodré, e o senador e líder do governo, Jaques Wagner (PT). A ofensiva investiga um robusto esquema de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master, resultando no cumprimento de 18 mandados de busca e apreensão em endereços estratégicos na Bahia, São Paulo e no Distrito Federal.
Em Salvador, os agentes federais realizaram buscas no apartamento do senador Jaques Wagner, situado no Corredor da Vitória. Eduardo Sodré, enteado do parlamentar, também foi alvo de mandados em endereços vinculados a ele e ao seu pai, Guilherme Sodré. A inclusão de nomes ligados ao governo estadual nas apurações da PF sobre o Banco Master adiciona uma camada de crise política ao inquérito, que investiga um suposto rombo bilionário e operações financeiras suspeitas.
As investigações focam na BN Financeira, empresa de propriedade de Bonnie Bonilha, esposa do secretário estadual, em sociedade com o advogado Moisés Dantas.
Auditorias recentes apontaram que a firma recebeu mais de R$ 11 milhões do Banco Master entre 2022 e 2025. O montante, transferido pela instituição presidida pelo empresário Daniel Vorcaro, gerou suspeitas na PF, que encontrou a empresa citada em documentos que seriam utilizados para pagamentos informais do banco.
Em nota oficial, a BN Financeira reconheceu a parceria comercial com o Banco Master, mas refutou qualquer irregularidade. A empresa alega que os repasses foram decorrentes de contratos de consultoria focados na prospecção de operações de crédito e convênios, negando ser uma "folha de pagamentos" secreta. A defesa da firma sustenta que todos os valores foram faturados mediante notas fiscais e estão devidamente declarados à Receita Federal, tratando a relação como uma prestação de serviço estritamente técnica.

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